O conceito de preconceito está demasiado banalizado, e estamos portanto a ter um preconceito para com o conceito. Perceberam? Não?
Eu passo a explicar. As pessoas estão tão habituadas a reconhecer o preconceito nas coisas habituais que falham em reconhecer as outras alturas em que tem preconceito, nas coisas mais simples. O motivo é simples, as pessoas não entendem o conceito.
Ainda confuso?
Um preconceito, ou será melhor dizer um pré conceito, é uma opinião preconcebida sobre uma pessoa, objecto ou lugar. Habitualmente esta opinião preconcebida leva a um acto de discriminação, é a atitude de julgar um livro pela capa. Na verdade poderia dizer-se que as pessoas têm medo daquilo que não conhecem. Estando tão habituadas a reconhecer preconceito nas suas formas mais comuns (social, racial e sexual), falham em reconhecer os pequenos preconceitos que têm na vida diária. Ainda ontem vinha eu para casa e estava a chegar um ambulância à frente de um café, ser humano curioso como sou, vou lá espreitar a ver o que se passa. Ao chegar já estão os socorristas a prestar cuidados a um velhote não com muito bom aspecto. Como o velhote já estava deitado no passeio inconsciente aquando da chegada deles os socorristas perguntam às pessoas se o homem caiu, ao que as pessoas lhes respondem que não. Mas eis que se ouve um espertalhão no fundo “Caiu-lhe foi mal!”. Gera-se logo ali uma confusão, os socorristas que vêm ajudar não trazem nenhuma ideia preconcebida, se fossem pensar desde que saem que era só mais um bêbado que tombou para o lado o mais provável era chegarem lá e porem-no a pé e manda-lo para casa. Ao contrário deles o espertalhão parte do principio que o homem é um bêbado, parte de um preconceito e discrimina-o por isso.
Isto vem a propósito de quê?!
Ontem estava eu muito entretido a ver televisão quando o meu pai entra no meu quarto, em cima da secretária estava um pequeno caderno aberto, nele lia-se em meia página “Pergunta 4″ e uma divisão por pontos, 2 pontos isto, 10 pontos aquilo. O meu pai olha para o caderno e depois de ler o que lá está olha para mim e diz: “já andaste a brincar”. Ora isto é um preconceito, pequeninho, mas todavia um preconceito. Se ele tivesse perdido tempo para ler com atenção antes de julgar tinha reparado que aquilo era uma grelha de correcção de um teste que estive a fazer para dar aos miúdos na catequese de sábado (e sim, eu dou catequese, não sejam preconceituosos). São estas pequenas coisas que normalmente escapam às pessoas, estes pequenos juízos de valor que tecem das pessoas, que mais não passam que preconceitos, já que são baseados em pré conceitos que têm das pessoas.
E quase que posso apostar que mais alguém conhece mais algum caso assim…
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Posted on 23 de Janeiro de 2008 by Luis in Sem Categoria |





