À medida que vou crescendo, não que tenha crescido muito, mais me apercebo que isto do tempo tem muito de relativo. Parece que quanto mais tempo tenho menos faço e que trabalho melhor sobre pressão, em cima da hora. A questão é que quanto mais tempo tenho mais acho que posso fazer as coisas com calma, ou deixar para daqui a cinco minutos enquanto agora faço outra coisa qualquer. O resultado: deixo as coisas para a última da hora, trabalho de pé, armado em Fernando Pessoa, ou então em posições verdadeiramente desconfortáveis, porque se me ponho demasiado confortável é provável que me distraia e lá se vai tudo. Ou então só me apetece trabalhar a horas que não me dão muito jeito, à noite e de manhã bem cedo.
Mas a questão nem é verdadeiramente esta. Esta relatividade é muito mais visível quando se trata da idade das pessoas. É muito fácil perder a perspectiva. Eu dou catequese ao 8º ano (miúdos de 13, 14 anos), e dou comigo constantemente a observar as reacções e atitudes deles e pensar que na idade deles não era assim. A questão que se põe é: será que eu era precoce na altura e já não actuava assim ou por outro lado o aumento de idade fez-me perder a perspectiva de como é o mundo pelos olhos deles, pensando automaticamente que são crianças que só dizem e fazem disparates?!
Acredito mais que seja a segunda. À medida que se vai crescendo e ganhando certas responsabilidades começa-se a encarar o mundo com outros olhos , com outra maturidade, e rejeita-mos que alguma vez tenhamos sido assim.
O senão disto: soamos sempre a superiores quando repreendemos uma dessas atitudes acriançadas. Tal como os nossos pais fizeram quando éramos também nós crianças. A questão que se prende é, será possível a um adulto abstrair-se desse peso e maturidade que a idade lhe trás e ver o mundo com uma perspectiva de criança?
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Apesar de todos os adultos, de vez em quando, terem atitudes acriançadas (e até às vezes bem piores que as dos miúdos de 13/14 anos), é impossível para eles/nós ter qualquer perspectiva de uma criança. E com certeza, infelizmente, rejeitamos ou esquecemos ou simplesmente não temos noção daquilo que éramos e do que faziamos ou mesmo pensavamos quando tinhamos 13/14 anos