relogiobolso Relatividade do tempoÀ medida que vou crescendo, não que tenha crescido muito, mais me apercebo que isto do tempo tem muito de relativo. Parece que quanto mais tempo tenho menos faço e que trabalho melhor sobre pressão, em cima da hora. A questão é que quanto mais tempo tenho mais acho que posso fazer as coisas com calma, ou deixar para daqui a cinco minutos enquanto agora faço outra coisa qualquer. O resultado: deixo as coisas para a última da hora, trabalho de pé, armado em Fernando Pessoa, ou então em posições verdadeiramente desconfortáveis, porque se me ponho demasiado confortável é provável que me distraia e lá se vai tudo. Ou então só me apetece trabalhar a horas que não me dão muito jeito, à noite e de manhã bem cedo.

Mas a questão nem é verdadeiramente esta. Esta relatividade é muito mais visível quando se trata da idade das pessoas. É muito fácil perder a perspectiva. Eu dou catequese ao 8º ano (miúdos de 13, 14 anos), e dou comigo constantemente a observar as reacções e atitudes deles e pensar que na idade deles não era assim. A questão que se põe é: será que eu era precoce na altura e já não actuava assim ou por outro lado o aumento de idade fez-me perder a perspectiva de como é o mundo pelos olhos deles, pensando automaticamente que são crianças que só dizem e fazem disparates?!

Acredito mais que seja a segunda. À medida que se vai crescendo e ganhando certas responsabilidades começa-se a encarar o mundo com outros olhos , com outra maturidade, e rejeita-mos que alguma vez tenhamos sido assim.

O senão disto: soamos sempre a superiores quando repreendemos uma dessas atitudes acriançadas. Tal como os nossos pais fizeram quando éramos também nós crianças. A questão que se prende é, será possível a um adulto abstrair-se desse peso e maturidade que a idade lhe trás e ver o mundo com uma perspectiva de criança?

 

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Esta entrada foi colocada por Quinta-feira, 15 de Maio de 2008 em 10:18 am e está arquivada em Diário Pode seguir qualquer resposta a esta entrada através da feed RSS 2.0 Pode deixar uma resposta, ou fazer trackback do seu próprio site.

 

Uma Resposta a “Relatividade do tempo”
  1. Bene diz:

    Apesar de todos os adultos, de vez em quando, terem atitudes acriançadas (e até às vezes bem piores que as dos miúdos de 13/14 anos), é impossível para eles/nós ter qualquer perspectiva de uma criança. E com certeza, infelizmente, rejeitamos ou esquecemos ou simplesmente não temos noção daquilo que éramos e do que faziamos ou mesmo pensavamos quando tinhamos 13/14 anos

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