dramasblogger Dramas de Blogger

Isto de ser blogger tem muito que se lhe diga. Não é fácil este trabalhinho de escrever para o mundo, ou pelo menos para os poucos habitantes do mundo que se dão ao trabalho de ler aqui o meu cantinho.

Não sei se me considero um blogger, acredito que o verdadeiro blogger é aquele que gera conteúdo que interessa, que dá gosto em ler, a que se comenta e divulga. Acredito que o estatuto de blogger só se obtém ao fim de algum tempo e muito trabalho, quando se tem leitores regulares, que subscrevem o feed, que comentam, que geram discussão, que fazem o autor (eu) querer escrever mais. Talvez seja um pequeno blogger em ascensão.

A busca de conteúdo interessante:

Numa Internet cada vez maior e com cada vez mais bloggers e novos geeks, é por vezes uma verdadeira luta encontrar algo sobre que escrever. Pessoalmente prefiro deixar o conteúdo vir até mim ao invés de falar do mesmo que muitos outros ou do que está na moda. Televisão, rádio, revistas, jornais, até ao andar na rua se podem encontrar boas ideias para bons artigos. Sigmund Freud dormia com um pequeno bloco de notas e uma caneta na mesinha de cabeceira para registar os seus sonhos mal acordasse. É sempre bom ter sempre algo onde escrever, apontar a ideia enquanto está fresca. Manter um caderninho é uma boa ideia para não se esquecer de nenhuma delas e organizar as ideias.

A construção do artigo:

Como tenho uma veia de designer tenho sempre uma trabalheira a construir o artigo. Para mim o aspecto visual é tão importante como o conteúdo. Para um utilizador que leia vários blogs diariamente, subscreva vários feeds ou leia artigos de um agregador, é o artigo visualmente atractivo que cativa o olhar e o faz ler o conteúdo, quase como a mulher bem vestida e atraente que se destaca no meio da multidão. Imagens, cores, cabeçalhos, palavras ou expressões a negrito são coisas que devem estar presentes em todo e qualquer artigo, fazer o olhar do leitor saltar pelo artigo fora de modo a fazê-lo ler todo o seu conteúdo.

Não abdico de uma imagem em cada artigo, 8 em cada 10 vezes criada por mim, ou no mínimo editada de alguma forma, e sempre alojada pessoalmente, assim não há problemas de a imagem desaparecer ou ser alterada (o que não falta são serviços de alojamento gratuito de imagens, pessoalmente uso o photobucket). Conhecimento mínimo de html é absolutamente necessário, pelo menos para mim, o WYSIWYG (What You See Is What You Get) nem sempre nos deixar usar todas as possibilidades do blog, usar umas tabelas para dispor melhor o texto ou imagens, um bocadinho de CSS para que o tamanho ou a cor de um tipo de letra seja sempre igual seja qual for o browser do leitor.

Como é óbvio esta exigência a nível visual consome bastante tempo, fazendo com que a actualização do blog não seja tão regular e com que as noticias “novas” não sejam assim tão novas. Quando é assim o conteúdo tem de justificaro trabalho que se teve com a “imagem”.

Artigos falhados:

Todos os bloggers devem ter a sua conta de artigos falhados, porque não era interessante, porque não tiveram o feedback que queriam, porque já não era novo (algo que acho discutível), ou simplesmente porque se espalharam completamente ao comprido e o que escreveram era absolutamente inútil (espero não ter nenhum destes). Há até aqueles artigos que nem chegam a ver a luz do dia, eu tenho alguns destes, um porque depois de tanto escrever e rescrever, mudar de imagens, de configuração do artigo, o comecei a achar ridículo e já não via propósito em publicá-lo, ou ainda outro que depois de tanto lutar com a disposição correcta de uma série de imagens desisti completamente e passei para outro que merecesse mais o meu empenho. Talvez um dia faça um artigo só com os artigos que estão escondidos na cave.

A frustração:

Ter uma boa ideia e não conseguir desenvolve-la, voltar a escrever um mesmo texto vezes e vezes sem conta e nunca ficar bem, ter o trabalho e o tempo de escrever o que consideramos ser um bom artigo e isso não se reflectir em respostas dos leitores. Acredito que a alma de um blog está nos seus leitores e nos seus comentários aos artigos, aliás não reconheço um blog sem os comentários, é estritamente necessário para o autor que os leitores para além de lerem os seus artigos tenham gosto em comentá-los, elogiar ou criticar, concordar ou discordar, apontar defeitos, acrescentar coisas em falta, qualquer comentário é bem vindo, bom ou mau, cada comentador conta.

O segredo:

Continuar a escrever mais e mais artigos, apesar dos dramas, da frustração, do bloqueio de escritor, do bloqueio criativo, da mudez dos comentários, das criticas negativas (são elas que nos ensinam o que é bom ou não). Escrever, escrever sempre, afinal é por nós que escrevemos e para vós leitores claro. Enquanto houver pelo menos um desse lado a ler , eu continuarei a escrever!

 

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Esta entrada foi colocada por Segunda-feira, 7 de Janeiro de 2008 em 9:24 pm e está arquivada em Diário, Tek Pode seguir qualquer resposta a esta entrada através da feed RSS 2.0 Pode deixar uma resposta, ou fazer trackback do seu próprio site.

 

7 Respostas a “Dramas de Blogger”
  1. Eu escrevo porque gosto de escrever, gosto de partilhar (mas só algumas coisas) e de escrever sobre o que me apetece (se me apetecer escrever um post onde digo que estou com um ataque de gazes intestinais, escrevo e publico). Mesmo que não tivesse leitores, escrevia; mesmo que um post quase não tivesse visitas, eu não o considerava falhado porque houve alguém (quanto mais não fosse, eu) a quem ele interessou; mesmo que morresse, eu cravava um pc ao diabo e continuava a escrever.

    Como tu, também ligo ao aspecto visual do texto; tanto que, às vezes, dou uns murros na pontuação, só para que o texto fique - visualmente - mais bonito. Mas eu não utilizo imagens minhas - o meu tlm é rasco demais para tirar fotos em condições: utilizo stock photos.

    “falar do mesmo que muitos outros ou do que está na moda”
    Para mim, é exactamente a mesma coisa. Se muitas pessoas falam de um assunto, ele é “moda”. Vê a panóplia de posts sobre o Ubuntu. É a distro da moda (como a t-shirt dos ciganos), anda tudo a escrever sobre ela. Se eu escrever sobre o Ubuntu, é para dar conta de alguma novidade da distribuição ou partilhar uma dica que encontrei e achei interessante, mas não mais que isso; não ando a fazer tutoriais e o camandro, onde a palavra Ubuntu aparece em todas as frases (às vezes até aparece mais que uma vez).

  2. Bene diz:

    Falaste das frustrações, dos falhanços, das dificuldades, mas esqueceste-te de frisar mais a parte boa: o prazer de escreveres e de teres o teu próprio cantinho e o porque que o fazes, continuas e continuarás a faze-lo.
    Quanto aos leitores, não te preocupes, eles virão, e se não vierem eles é que ficam a perder. Pelo menos terás-me a mim sempre como tua leitora (e crítica :P ), a tua fã nº 1 :D

  3. Caraças, quem me dera a mim ter uma mulher a comentar os meus artigos!

  4. jsilas diz:

    Li na integra.

    E adorei o que li, dos melhores artigos sobre blogging dos últimos tempos!

    Parabéns Luís

  5. syrin diz:

    Muito interessante, revejo-me em algumas das coisas que disseste. Também eu já senti a enorme frustração que é tentar escrever e não conseguir pôr em palavras aquilo que imaginei e que tão bem me soou na cabeça.
    Mas é como dizes… continuar e nunca deixar de escrever - mesmo que seja só para nós. :)

  6. antek diz:

    @Bruno

    Essa dos tutorials depende…
    No meu blog ando a fazer alguns porque simplesmente não encontro na net essa informação. E isso vê-se porque sou dos primeiros nas pesquisas do google para certa palavras relacionadas com o ubuntu. Desde que seja original não ha problema.

  7. @Antek
    Estás a partilhar conhecimento, “no harm done”.

  8.  
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